Virgindade, tema que já foi
e ainda é tabu para muita gente. De diferentes religiões, raças e países, agora
parece ser mais uma coisa banal no século XXI. O que antes fazia uma mulher ser
considerada “moça de família” hoje entre os jovens acaba virando até motivo de
piada.
Com o passar do tempo a
virgindade que teve um papel de “selo da pureza” (simbolismo muito mais
presente se a pessoa virgem for uma mulher, por causa do hímen ainda
intacto),foi perdendo o seu poder social. Fato esse que começou a ocorrer no
inicio da década de 60 com o surgimento das pílulas anticoncepcionais. Fazendo
com que a mulher não se preocupasse mais com a possibilidade de uma possível gravidez,
a principio deixando-a livre para fazer sexo com quem ela quisesse. Esse é um
ponto que é valido frisar já que o verdadeiro tabu foi sempre a virgindade para
a mulher, ela que sempre teve que desempenhar o papel de pura na sociedade
ocidental cristã, o pilar fundamental da família era a pureza da jovem que
ainda não tinha se casado e estaria apta para ser escolhida por um rapaz para
ser senhora de sua casa e mãe de seus filhos. Enquanto para o homem a perda da
virgindade sempre foi considerada um rito de passagem da vida infantil para a
vida adulta.
E assim durante até boa
parte do século XX era comum os jovens serem levados (muitas vezes pelo pai)
para prostiíbulos para poderem ser chamados de “verdadeiros homens” pela sociedade.
Hoje os valores estão
modificados, em plena era das redes sociais e das músicas que falam explicitamente
de sexo. Virgindade para muitos se transformou “estigma social”, ou como os
jovens falam “motivo para ser zuado”. A
jovem Angel dos Santos, de 16 anos diz que as vezes sente vergonha por ser
motivo de brincadeira entre as amigas por ainda ser virgem,mas ao mesmo tempo
tem orgulho por ter algo que a faça diferente. “Algumas amigas dizem que “não
sei o que é bom”, mas eu não ligo, se não aconteceu ainda é porque não chegou a
hora. As vezes sinto vergonha por causa das brincadeiras mas por um lado também
tenho orgulho,porque afinal não é todo mundo que é virgem aos 16 anos.”
André de 19 anos, estudante
de física, diz que também sofre preconceito por ainda ser virgem,
principalmente por ser homem: “Todos meus amigos me zoam e fazem piada quando
digo que sou virgem. Parece que o mundo fica te vigiando para saber se você já
transou ou não. Sim sou homem, já tenho 19 anos, mas to preocupado com outras
coisas por enquanto. Não defendo bandeira nenhuma de pureza ou “sexo só depois
do casamento” só tenho outras preocupações por enquanto. Se rolar com uma
garota rolou, mas eu não to fazendo disso minha cruzada pessoal falando
“preciso encontrar alguém pra transar comigo”.
Está em grande evidencia na
mídia o caso da jovem brasileira, Catarina Migliorini de 20 anos, ela está
vendendo sua virgindade em um reality show na Austrália. Os lances já bateram
os US$ 155 mil (que equivalem a mais de R$ 300 mil),
Catarina diz que com o
dinheiro do leilão quer abrir uma ONG e investir em um projeto de casas
populares para famílias pobres.
Sua mãe não está muito
contente com a decisão da filha, diz que já tentou conversar com ela, mas
Catarina não muda de ideia: “Eu falava para ela: pensa bem, você está mesmo a fim
de fazer isso? Eu nunca falei: vai. E não posso falar: não, não vai. Mas, no fundo,
não gostaria que ela fosse.”
O caso de Catarina choca
vários setores da sociedade. Algumas pessoas ficam perplexas com a sua decisão
e a chamam de “prostituta de luxo”. Outras como a nossa entrevistada Angel, podem
até não concordar, mas são rápidos em defender seu conceito pessoal sobre o
sexo: “Eu acho que não faria isso, cada um faz o que quer, o que achar melhor
para si, o caso dela só mostra que atualmente o dinheiro tomou conta do amor.”
Então pode se levantar a questão,
sexo é um assunto que deixou de ser embaraço? Deixou de ser sinal de “honra” ou
prova de amor? Virou mercadoria ou característica de originalidade e
individualidade? Para muitos ainda é questão embaraçosa e em muitas casas ainda
é proibido falar disso abertamente, mas a conclusão que mais se aproxima com a
realidade coletiva é que todas essas alternativas são válidas. No mundo de hoje
qualquer um tem o poder de ser formador da sua própria opinião. Ninguém está
obrigado a seguir qualquer cartilha de comportamento. Por mais que a mídia
possa te empurrar uma ideia e fazer a cabeça do que pode parecer a maioria das
pessoas. Você tem o poder de fazer o que quiser e tratar o assunto da forma que
mais te agradar.

Ótimo texto. Muito esclarecedor e muito bem escrito. Parabéns.
ResponderExcluirNa minha opinião, o que está acontecendo com os jovens atuais é uma fragmentação das relações. Não é mais necessário amar uma pessoa para transar com ela (na concepção atual). O sexo está cada vez mais perdendo sua capacidade de unir duas pessoas numa relação íntima, e passando a ser um simples passatempo.
Eu sou de uma geração onde a virgindade era um tabu.
ResponderExcluirMas, também da mesma geração onde este tabu começou a ser quebrado.
Mesmo, assim era escondido. Namorado dormir na casa da namorada ou vice-versa nesta época só em quartos separados e em último caso. Hoje já se prefere que durma embaixo do mesmo teto do que na rua.
Sou moderno. Não vejo virgindade como uma necessidade. Mas, ainda defendo que pelo menos a primeira vez tem que ser especial e não fazer por fazer.
www.cchamun.blogspot.com.br
Histórias, estórias e outras polêmicas