quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Virgindade, cada um tem a sua


Virgindade, tema que já foi e ainda é tabu para muita gente. De diferentes religiões, raças e países, agora parece ser mais uma coisa banal no século XXI. O que antes fazia uma mulher ser considerada “moça de família” hoje entre os jovens acaba virando até motivo de piada.

Com o passar do tempo a virgindade que teve um papel de “selo da pureza” (simbolismo muito mais presente se a pessoa virgem for uma mulher, por causa do hímen ainda intacto),foi perdendo o seu poder social. Fato esse que começou a ocorrer no inicio da década de 60 com o surgimento das pílulas anticoncepcionais. Fazendo com que a mulher não se preocupasse mais com a possibilidade de uma possível gravidez, a principio deixando-a livre para fazer sexo com quem ela quisesse. Esse é um ponto que é valido frisar já que o verdadeiro tabu foi sempre a virgindade para a mulher, ela que sempre teve que desempenhar o papel de pura na sociedade ocidental cristã, o pilar fundamental da família era a pureza da jovem que ainda não tinha se casado e estaria apta para ser escolhida por um rapaz para ser senhora de sua casa e mãe de seus filhos. Enquanto para o homem a perda da virgindade sempre foi considerada um rito de passagem da vida infantil para a vida adulta.

E assim durante até boa parte do século XX era comum os jovens serem levados (muitas vezes pelo pai) para prostiíbulos para poderem ser chamados de “verdadeiros homens” pela sociedade.

Hoje os valores estão modificados, em plena era das redes sociais e das músicas que falam explicitamente de sexo. Virgindade para muitos se transformou “estigma social”, ou como os jovens falam “motivo para ser zuado”.  A jovem Angel dos Santos, de 16 anos diz que as vezes sente vergonha por ser motivo de brincadeira entre as amigas por ainda ser virgem,mas ao mesmo tempo tem orgulho por ter algo que a faça diferente. “Algumas amigas dizem que “não sei o que é bom”, mas eu não ligo, se não aconteceu ainda é porque não chegou a hora. As vezes sinto vergonha por causa das brincadeiras mas por um lado também tenho orgulho,porque afinal não é todo mundo que é virgem aos 16 anos.”
  
André de 19 anos, estudante de física, diz que também sofre preconceito por ainda ser virgem, principalmente por ser homem: “Todos meus amigos me zoam e fazem piada quando digo que sou virgem. Parece que o mundo fica te vigiando para saber se você já transou ou não. Sim sou homem, já tenho 19 anos, mas to preocupado com outras coisas por enquanto. Não defendo bandeira nenhuma de pureza ou “sexo só depois do casamento” só tenho outras preocupações por enquanto. Se rolar com uma garota rolou, mas eu não to fazendo disso minha cruzada pessoal falando “preciso encontrar alguém pra transar comigo”.

Está em grande evidencia na mídia o caso da jovem brasileira, Catarina Migliorini de 20 anos, ela está vendendo sua virgindade em um reality show na Austrália. Os lances já bateram os US$ 155 mil (que equivalem a mais de R$ 300 mil),

Catarina diz que com o dinheiro do leilão quer abrir uma ONG e investir em um projeto de casas populares para famílias pobres.

Sua mãe não está muito contente com a decisão da filha, diz que já tentou conversar com ela, mas Catarina não muda de ideia: “Eu falava para ela: pensa bem, você está mesmo a fim de fazer isso? Eu nunca falei: vai. E não posso falar: não, não vai. Mas, no fundo, não gostaria que ela fosse.”

O caso de Catarina choca vários setores da sociedade. Algumas pessoas ficam perplexas com a sua decisão e a chamam de “prostituta de luxo”. Outras como a nossa entrevistada Angel, podem até não concordar, mas são rápidos em defender seu conceito pessoal sobre o sexo: “Eu acho que não faria isso, cada um faz o que quer, o que achar melhor para si, o caso dela só mostra que atualmente o dinheiro tomou conta do amor.”

Então pode se levantar a questão, sexo é um assunto que deixou de ser embaraço? Deixou de ser sinal de “honra” ou prova de amor? Virou mercadoria ou característica de originalidade e individualidade? Para muitos ainda é questão embaraçosa e em muitas casas ainda é proibido falar disso abertamente, mas a conclusão que mais se aproxima com a realidade coletiva é que todas essas alternativas são válidas. No mundo de hoje qualquer um tem o poder de ser formador da sua própria opinião. Ninguém está obrigado a seguir qualquer cartilha de comportamento. Por mais que a mídia possa te empurrar uma ideia e fazer a cabeça do que pode parecer a maioria das pessoas. Você tem o poder de fazer o que quiser e tratar o assunto da forma que mais te agradar. 

2 comentários:

  1. Ótimo texto. Muito esclarecedor e muito bem escrito. Parabéns.
    Na minha opinião, o que está acontecendo com os jovens atuais é uma fragmentação das relações. Não é mais necessário amar uma pessoa para transar com ela (na concepção atual). O sexo está cada vez mais perdendo sua capacidade de unir duas pessoas numa relação íntima, e passando a ser um simples passatempo.

    ResponderExcluir
  2. Eu sou de uma geração onde a virgindade era um tabu.
    Mas, também da mesma geração onde este tabu começou a ser quebrado.
    Mesmo, assim era escondido. Namorado dormir na casa da namorada ou vice-versa nesta época só em quartos separados e em último caso. Hoje já se prefere que durma embaixo do mesmo teto do que na rua.
    Sou moderno. Não vejo virgindade como uma necessidade. Mas, ainda defendo que pelo menos a primeira vez tem que ser especial e não fazer por fazer.

    www.cchamun.blogspot.com.br
    Histórias, estórias e outras polêmicas

    ResponderExcluir